Uma situação de segurança em mudança exige um reforço da protecção civil na Alemanha
Somente por meio de ações decisivas e investimentos significativos a Alemanha poderá estar preparada para os desafios dos próximos anos em termos de proteção civil.
Quais são as razões para esses desafios e como eles podem ser enfrentados?
Desafios crescentes de conflitos políticos e militares, desastres naturais, grandes desastres técnicos e ameaças híbridas
Desde o início do conflito aberto entre a Rússia e a Ucrânia em fevereiro de 2022, a situação de segurança na Europa mudou fundamentalmente. Especialistas em segurança alertam que as forças armadas russas podem ser capazes de lançar um ataque à OTAN, o mais tardar, até o final desta década. Essa situação de ameaça traz de volta a atenção para a proteção civil, após ter sido severamente negligenciada nas últimas décadas – por exemplo, devido ao desmantelamento de sirenes, ao fechamento de bunkers e a planos de emergência desatualizados.
Além dos conflitos militares, eventos climáticos extremos decorrentes das mudanças climáticas, ataques cibernéticos, campanhas de desinformação e ataques envolvendo substâncias perigosas também representam desafios crescentes. Essas causas de crises e desastres não se limitam às fronteiras nacionais e afetam a população direta e indiretamente.
A Alemanha não possui um conceito abrangente de abrigo desde 2007. O país carece de sistemas de alerta modernos, geradores de emergência suficientes, suprimentos de alimentos e medicamentos e uma infraestrutura nacional de sirenes. Especialistas e organizações humanitárias, portanto, pedem bilhões de euros em investimentos para modernizar equipamentos e garantir a prontidão operacional.
Medidas mais eficazes para fortalecer a proteção civil na Alemanha
Essas medidas fortaleceriam de forma sustentável e eficaz a proteção civil na Alemanha, aumentariam a capacidade operacional em caso de crise e melhorariam a resiliência da sociedade como um todo:
Reforma do quadro jurídico
Para enfrentar as ameaças atuais e futuras, o arcabouço legal para a proteção civil na Alemanha deve ser completamente modernizado.
O foco está na melhoria da cooperação entre os governos federal e estadual, na adaptação da Lei de Proteção Civil e Assistência a Desastres (ZSKG) a novas situações de risco, em regulamentações federais uniformes para socorristas, em uma ancoragem mais forte de estruturas de gerenciamento de crises e na promoção da autoproteção e resiliência.
Além da modernização e padronização da ZSKG, isso significa, em particular, que deve haver regulamentações claras sobre a isenção, a previdência social e a compensação financeira dos voluntários.
As leis existentes (por exemplo, a Lei de Segurança Central e Segurança) devem ser revisadas regularmente e adaptadas a novas situações de ameaça. O objetivo é harmonizar o arcabouço legal entre os governos federal e estadual para evitar atritos e conflitos de jurisdição.
Demarcação de responsabilidades entre os governos federal e estadual
A separação estrita entre proteção civil (federal) e controle de desastres (estadual) dificulta a ação coordenada em crises transfronteiriças de larga escala. Para permitir uma gestão integrada de crises, é necessária uma melhor coordenação e, se necessário, uma revisão das competências previstas na Lei Básica.
Modernização da Lei Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres (Lei de Proteção Civil e Assistência em Desastres – ZSKG)
A Lei de Segurança e Proteção Central (ZSKG) precisa ser adaptada ao novo cenário de ameaças. Isso exige regulamentações claras para ameaças híbridas, ataques cibernéticos e campanhas de desinformação. Além disso, a cooperação entre todas as partes interessadas deve ser fortalecida.
Regulamentos federais uniformes para ajudantes
Não há regulamentações legais uniformes relativas a licenças, indenizações, benefícios de substituição e previdência social para auxiliares que trabalham em organizações humanitárias (por exemplo, Cruz Vermelha Alemã, Cruz Vermelha Alemã, Organização Alemã de Assistência e ASB). Há uma necessidade urgente de aprimorar isso para garantir prontidão e motivação.
Gestão e coordenação de crises
Para poder reagir de forma rápida e eficaz em caso de crise, propõe-se a criação de uma equipa central de crise de proteção civil a nível federal (por exemplo, na Chancelaria Federal).
Obrigatoriedade de realização de treinamento de defesa civil
Para aumentar a segurança operacional em todos os níveis, os funcionários municipais devem ser obrigados a passar por treinamento em proteção civil e gerenciamento de crises.
Financiamento e recursos
Dadas as crescentes demandas, é necessário garantir o financiamento sustentável da proteção civil. Nesse contexto, está sendo discutida uma taxa de segurança para indivíduos que não estão ativamente envolvidos na proteção civil.
Integração de autoproteção e resiliência
O fortalecimento da capacidade de autoajuda da população e a promoção da resiliência social devem estar mais bem ancorados na lei.
Introdução de padrões nacionais uniformes para gestão de crises e coordenação operacional.
Uma proteção civil eficaz requer um sistema uniforme e transfronteiriço de gestão de crises que envolva todos os stakeholders governamentais, da sociedade civil e do setor empresarial. Isso inclui procedimentos padronizados, treinamento conjunto e exercícios regulares. Somente dessa forma, grandes desastres, como desastres naturais, cortes de energia ou ataques militares, podem ser gerenciados com eficiência.
A comunicação e a coordenação entre os governos federal e estaduais em proteção civil podem ser aprimoradas de forma sustentável por meio de centros de competência vinculativos, mecanismos claros de tomada de decisão, exercícios regulares, sistemas digitais padronizados, contato permanente, responsabilidades claramente definidas e desenvolvimento de estratégias conjuntas. Somente dessa forma os recursos podem ser reunidos e mobilizados de forma rápida e eficiente em caso de crise.
Criação e expansão de centros de competência conjuntos
A criação do "Centro de Competência Conjunta para Proteção Civil" (GeKoB) é um passo fundamental para o estabelecimento de uma nova base vinculativa para os processos de informação, comunicação e coordenação entre os governos federal e estadual. Essas plataformas permitem a troca rápida e estruturada de informações, a avaliação conjunta da situação e a coordenação de medidas em situações de crise. O envolvimento contínuo de representantes estaduais e organizações operacionais (por exemplo, organizações de ajuda humanitária, a Agência Federal de Assistência Técnica (THW) e os corpos de bombeiros) é essencial.
Mecanismos vinculativos de tomada de decisão e coordenação
Mecanismos de tomada de decisão claramente definidos são essenciais para crises transnacionais. Quem assumirá a coordenação operacional em caso de emergência? Como os recursos serão distribuídos e como as forças especiais serão mobilizadas além-fronteiras? Atualmente, faltam regulamentações vinculativas, o que pode levar a atrasos. Portanto, um mecanismo predefinido para tomada rápida de decisões e alocação de recursos é necessário para poder atuar com eficiência em caso de emergência.
Exercícios e treinamentos regulares para as articulações
Os governos federal e estaduais devem realizar regularmente exercícios conjuntos de crise (por exemplo, LÜKEX) para testar e otimizar os processos de comunicação e tomada de decisão. Além disso, programas conjuntos de treinamento e qualificação para gestores e equipes de emergência fortalecem o entendimento mútuo e a confiança em situações de crise.
Sistemas padronizados de comunicação digital e consciência situacional
A introdução e o uso de sistemas digitais uniformes para consciência situacional, troca de informações e alertas são cruciais para o sucesso da gestão de crises. Uma consciência situacional digital compartilhada, como a consciência situacional 306°, fornece a todas as partes envolvidas uma visão geral atualizada e facilita a coordenação de situações complexas. Os sistemas devem ser compatíveis em todo o país e estar disponíveis o tempo todo.
Ligação constante e presença no local
Um sistema de ligação permanente, no qual todos os países e organizações-chave fornecem pessoas de contato permanentes nos centros de competência, melhora significativamente a comunicação. Isso evita a perda de informações e fortalece a confiança mútua.
Responsabilidades e autoridade claras
As competências e a autoridade dentro das plataformas de cooperação devem ser claramente definidas. Atualmente, a equipe de gestão dos centros de competência não tem autoridade para dar instruções aos representantes estaduais. Isso atrasa os processos de tomada de decisão. Portanto, é necessária uma emenda legal que fortaleça a autoridade decisória.
Construindo confiança e desenvolvimento de estratégias conjuntas
A cooperação confiável é a base para uma proteção civil eficaz. Para superar as "estruturas isoladas", o desenvolvimento de estratégias conjuntas, a coordenação regular e a comunicação transparente entre os governos federal e estadual são essenciais.
Otimizar a cooperação entre os governos federal e estadual na proteção civil
A cooperação entre os governos federal e estaduais em proteção civil pode ser otimizada de forma mais eficaz por meio de estruturas de cooperação vinculativas, responsabilidades claras, centros de competência conjuntos, análises de risco coordenadas, exercícios regulares, leis harmonizadas, financiamento adequado e promoção direcionada de voluntários. Somente assim será possível construir um sistema de proteção civil eficaz, flexível e sustentável, capaz de enfrentar os desafios atuais e futuros.
Defina interfaces e responsabilidades claras
Um pré-requisito fundamental para uma cooperação mais eficaz é a definição clara e vinculativa de interfaces, responsabilidades e competências. Como as tarefas de proteção civil (federal) e de controle de desastres (estadual) frequentemente se sobrepõem, é necessário um sistema de proteção comum, independente de causa e com responsabilidades claras. Isso pode ser alcançado dentro da estrutura federal existente, mas requer uma revisão abrangente e adaptação da base jurídica.
Obrigações vinculativas de cooperação e colaboração
O Tribunal de Contas da União enfatiza a importância de uma cooperação aprofundada e vinculativa entre os governos federal e estaduais. Isso inclui obrigações claras de cooperação financeira, de pessoal e técnica, que até agora frequentemente existiam apenas na forma de cartas de intenção. Somente quando tais obrigações forem acordadas, um centro de competência conjunto para a proteção civil poderá ser efetivamente estabelecido e operado.
Expansão de estruturas conjuntas e centros de competência
Estruturas existentes, como o Centro Conjunto de Relatórios e Situação (GMLZ) ou o recém-criado Centro Conjunto de Competência para Proteção Civil (GeKoB), devem ser mais desenvolvidas. Essas instituições permitem o gerenciamento coordenado de crises, simplificam a troca de informações e aceleram os processos de tomada de decisão em emergências. Eles devem servir como plataformas centrais para informações sobre riscos, perigos e situações e também fornecer suporte operacional, se necessário.
Análises conjuntas de risco, exercícios e iniciativas de qualificação
Uma estratégia de resiliência coordenada e nacional, baseada em análises de risco sólidas, é essencial. Exercícios conjuntos, o desenvolvimento de procedimentos padronizados e o treinamento de pessoal (incluindo voluntários) em todos os níveis fortalecerão a capacidade operacional e promoverão o entendimento mútuo entre as partes interessadas.
Aumento de recursos financeiros
Para otimizar a cooperação de forma sustentável, os governos federal e estadual devem, em conjunto, fornecer recursos financeiros suficientes, por exemplo, para equipamentos, suprimentos e infraestrutura digital. Isso também deve ser refletido em rubricas orçamentárias separadas.
A atual proposta orçamentária do governo para 2025 destina € 100 milhões adicionais ao Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres (BBK), elevando o gasto total para aproximadamente € 240 milhões. A Agência Federal de Assistência Técnica (THW) receberá aproximadamente € 417 milhões, também um aumento em relação ao ano anterior. No geral, porém, a participação da proteção civil no orçamento federal permanece significativamente abaixo do nível exigido por especialistas e organizações humanitárias.
Organizações humanitárias como a Cruz Vermelha Alemã reivindicam um aumento permanente na parcela do orçamento federal destinada à proteção civil para pelo menos 0,5% (aproximadamente € 2,4 bilhões por ano). Essa demanda se baseia na avaliação de que essa é a única maneira de garantir os investimentos necessários em equipamentos, infraestrutura, treinamento, digitalização e programas de resiliência.
Para fortalecer substancialmente a proteção civil na Alemanha, o orçamento federal para proteção civil teria que ser aumentado para pelo menos 2025% do orçamento total (aproximadamente € 0,5 bilhões anuais) até maio de 2,4. Investimentos direcionados em infraestrutura, digitalização, treinamento, promoção da resiliência e pessoal são necessários para atender às crescentes demandas e níveis de ameaça. Especialistas acreditam que os recursos atuais são insuficientes para isso.
Um ajuste substancial do orçamento deve incluir as seguintes prioridades:
- Equipamentos e infraestruturas: modernização e ampliação de abrigos, fornecimento de energia de emergência, sistemas de comunicação e veículos,
- Infraestrutura digital: expansão e manutenção de rádio digital, desenvolvimento de aplicativos de alerta e sistemas de gerenciamento de crises.
Formação e educação continuada: – formação abrangente e padronizada e educação continuada para serviços de emergência e pessoal administrativo, incluindo exercícios de crise,
- Fortalecimento da resiliência: Programas que promovam a capacidade de autoajuda da população, por exemplo, cursos de primeiros socorros com conteúdo de autoproteção, campanhas de informação e programas de treinamento.
Pessoal: Expansão das capacidades de tempo integral e voluntário, incluindo seguridade social e incentivos para voluntários.
- Pesquisa e inovação: Investimentos em pesquisas sobre novas ameaças (por exemplo, cibernéticas, climáticas), desenvolvimento de conceitos inovadores de proteção e resposta.
Autoproteção, resiliência social e educação
Autoproteção e resiliência são elementos-chave na preparação da população para crises e desastres. Na Alemanha, já existem inúmeras abordagens e recomendações sobre como a autoproteção pode ser efetivamente fortalecida.
O objetivo é preparar o público em geral para crises por meio de programas educacionais e informativos, por exemplo, por meio de cursos de primeiros socorros, treinamento de autoproteção e recomendações para preparação para emergências. Envolver a população em exercícios e medidas de prevenção para fortalecer a responsabilidade pessoal.
É de particular importância treinar a população em medidas de autoproteção para que ela permaneça capaz de agir em situações de crise.
O fortalecimento da autoproteção na sociedade alemã é melhor alcançado por meio de uma combinação de transferência de conhecimento, treinamento prático, alocação clara de responsabilidades, promoção da responsabilidade pessoal e melhor coordenação em toda a sociedade. Somente dessa forma a população poderá se tornar mais resiliente e atuar de forma eficaz em situações de crise.
As medidas e estruturas mais importantes estão resumidas abaixo:
Transferência de conhecimento e habilidades
- A população precisa ter habilidades básicas para se ajudar em situações perigosas.
Esses incluem:- Mantendo-se seguro em situações perigosas
- Comportamento em caso de eventos químicos, biológicos, radiológicos e nucleares (QBRN)
- Autossuficiência (por exemplo, estocagem)
- primeiro socorro
- Combate a incêndios
- Mantendo-se seguro em situações perigosas
- O Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres (BBK) oferece guias, folhetos e cursos de treinamento abrangentes sobre o tema. Cursos especiais para crianças e jovens também são oferecidos para ensinar o comportamento correto em situações de emergência desde a mais tenra idade.
Promover competências de autoajuda a nível local
- Os municípios são legalmente obrigados a organizar a autoproteção da população e a fornecer trabalho educacional adequado. Isso inclui:
- Educação e conscientização sobre segurança contra incêndio
- Organização de cursos de primeiros socorros em cooperação com organizações de ajuda humanitária, como a Cruz Vermelha Alemã
- Educação e conscientização sobre segurança contra incêndio
- Os municípios contam com o apoio dos governos federal e estadual, bem como de organizações de assistência reconhecidas
Expansão dos serviços de informação e consultoria
- O BBK e outras agências oferecem linhas diretas, plataformas de informações digitais e telefones de serviço para fornecer aos cidadãos informações direcionadas sobre medidas de autoproteção.
- Fortalecer a troca de informações entre o governo federal, estados, municípios e a população é objetivo central da estratégia nacional de resiliência
Integração da autoproteção na educação
- A integração de tópicos como proteção contra desastres, primeiros socorros e autoajuda em escolas e programas educacionais extracurriculares promove conscientização e competência de ação entre crianças e jovens.
- Educação de adultos e cursos regulares de atualização também são importantes para manter o conhecimento atualizado.
Promover uma cultura de responsabilidade pessoal
- A população deve ser motivada a cuidar de si mesma e não depender somente de ajuda estatal. Isso inclui:
- Estoque para emergências
- Conhecimento de planos e contatos de emergência
- Vontade de apoiar vizinhos e outros seres humanos
- Estoque para emergências
- As normas legais enfatizam que a prevenção de ameaças não é apenas responsabilidade das autoridades, mas também deve ser complementada por medidas privadas
Melhorar a coordenação social geral
- A Plataforma Nacional de Resiliência pede melhor coordenação entre o governo federal, os estados, os municípios e todas as partes interessadas relevantes (empresas, sociedade civil, ciência) para fortalecer a resiliência de forma holística.
- A gestão inclusiva do risco de desastres e responsabilidades claras são cruciais para uma estratégia de resiliência sustentável
Fortalecendo o voluntariado
As condições-quadro para o trabalho voluntário devem ser padronizadas e melhoradas. A proteção civil na Alemanha é realizada em grande parte por voluntários. Para garantir seu comprometimento e atrair novos voluntários, são necessárias melhores estruturas legais, previdência social e apoio financeiro.
O voluntariado é um pilar fundamental da proteção civil. Uma estratégia comum para promover, reconhecer e garantir voluntários é necessária para garantir sua prontidão para servir a longo prazo.
São importantes
- Promoção de serviços voluntários e
- melhor coordenação e incentivos específicos na legislação da previdência social para atrair mais ajudantes e mantê-los a longo prazo.
Expansão e modernização da infraestrutura
Expansão da rede de sirenes e introdução de sistemas de alerta modernos, como transmissão por celular, para alertar a população de forma rápida e abrangente. Estabelecimento de um registro e inventário georreferenciados de dispositivos de alerta, bem como desenvolvimento adicional de abrigos (por exemplo, bunkers). Aprimoramento da infraestrutura digital para comunicação de crise e avaliação de situações.
Gestão integrada de crises
Desenvolvimento de um sistema integrado de gestão de crises que envolva governo, sociedade civil e atores econômicos. Procedimentos padronizados, treinamento conjunto e exercícios regulares para melhorar a cooperação entre todas as partes envolvidas.
Fortalecimento do sistema de saúde da população e dos serviços de emergência
Medidas para a população
Fornecimento de suprimentos médicos adicionais e expansão da capacidade de assistência médica. Capacitação da população em primeiros socorros e como auxiliares de enfermagem com conteúdo de autoproteção.
Medidas para serviços de emergência
Por meio de educação, treinamento e exercícios, as habilidades médicas e psicossociais básicas da equipe de emergência são fortalecidas.
Cooperação internacional
Maior integração em redes internacionais e cooperação para assistência civil em desastres.
Melhorar a proteção civil através da educação, formação e exercícios
Treinamento padronizado de gerenciamento de crises pelos governos federal e estadual
A decisão do Grupo de Trabalho V (AK V) da Conferência de Ministros do Interior (IMK) de introduzir treinamento padronizado em gestão de crises nos níveis federal e estadual significa que o treinamento e a educação continuada de todos os atores relevantes em gestão de crises serão, no futuro, conduzidos de acordo com padrões uniformes e acordados em conjunto. O objetivo é criar um conceito de treinamento integrado e coordenado que se aplique a todos os níveis administrativos – do governo federal, passando pelos estados, até os municípios – e que não apresente lacunas em termos de conteúdo ou organização.
Pontos principais do treinamento padronizado de gerenciamento de crises:
- Desenvolvimento de um conceito de treinamento comum e coordenado que abranja todos os níveis e funções na gestão de crises.
- Fornecer princípios legais, organizacionais e práticos uniformes para todos os responsáveis pelas equipes de gerenciamento de crises ou no controle de desastres.
- A Academia de Gestão de Crises, Planejamento de Emergências e Proteção Civil (AKNZ) está sendo expandida como um centro de competência central que oferece seminários, exercícios e cursos de treinamento, especialmente para gerentes e tomadores de decisão.
- O treinamento é estruturado em módulos, com módulos básicos (por exemplo, estrutura legal, alocação de tarefas) e módulos especiais relacionados às tarefas (por exemplo, comunicação, gestão operacional, gestão de mídias sociais).
- Exercícios práticos, como o exercício de gerenciamento de crise entre estados LÜKEX, serão parte integrante do treinamento para treinar a cooperação entre os governos federal e estaduais de maneira realista.
- A padronização visa melhorar a cooperação interdepartamental, facilitar a comunicação e a cooperação entre os vários níveis e atores e garantir processos uniformes em caso de crise.
- O objetivo é avaliar regularmente e desenvolver ainda mais o treinamento para poder responder com flexibilidade a novas situações de ameaça.
A padronização garante que todos os participantes – independentemente do estado federal ou do nível administrativo – tenham habilidades e conhecimentos comparáveis em gestão de crises. Isso aumenta o profissionalismo, a capacidade de resposta e a eficácia em caso de crise e contribui para garantir que todos os atores "falem a mesma língua" e possam trabalhar juntos sem problemas em caso de emergência.
Conceitos de treinamento
Por meio de treinamento direcionado, exercícios regulares e exercícios realistas, o conhecimento especializado, a competência e a coordenação dos serviços de emergência são fortalecidos. Programas suplementares para a população aumentam a capacidade de autoajuda. Padrões uniformes e treinamento de liderança garantem a qualidade e a eficácia a longo prazo da proteção civil na Alemanha.
Treinamento estruturado e prático
Um conceito de treinamento sistemático é fundamental para uma proteção civil eficaz. O Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres (BBK) oferece um conceito de três etapas para esse fim, que inclui fundamentos, estruturas de treinamento e materiais de treinamento específicos. O treinamento é destinado a todos os profissionais de emergência, gerentes e especialistas (por exemplo, operadores de rádio, maquinistas e paramédicos) que trabalham na proteção civil. Conteúdos como princípios legais, perigos representados por substâncias QBRN (químicas, biológicas, radiológicas e nucleares), medidas de proteção e o uso de equipamentos especiais são ensinados.
Exercícios regulares e realistas
Exercícios práticos — tanto específicos do local quanto inter-regionais e interorganizacionais — são essenciais para preparar o pessoal de emergência para emergências. O governo federal contribui com os custos desses exercícios, que também podem ser realizados em conjunto com unidades estrangeiras. Esses cursos de treinamento fortalecem a confiança na ação, na cooperação e na compreensão de situações operacionais complexas.
Treinamento de liderança e gerenciamento de crise
O treinamento direcionado de gestores é crucial para gerenciar grandes desastres. Seminários e cursos especiais, por exemplo na Academia de Gestão de Crises, Planejamento de Emergência e Proteção Civil (AKNZ), transmitem habilidades de tomada de decisão, coordenação e comunicação em caso de desastre. A ênfase é colocada em um sistema de assistência integrado que vincula a proteção civil e o controle de desastres.
Autoproteção e educação pública
Não apenas o pessoal de emergência, mas também o público em geral se beneficia do treinamento: cursos de primeiros socorros com conteúdo de autoproteção ensinam habilidades básicas para poder reagir e ajudar de forma independente em situações de crise. Isso aumenta a resiliência social e alivia a carga das forças profissionais em uma emergência.
Padronização e garantia de qualidade
Padrões e conceitos de estrutura coordenados nacionalmente garantem que o treinamento e os exercícios sejam uniformes e de alta qualidade. Isso facilita a cooperação entre diferentes organizações e estados federais.
Atendimento psicossocial de emergência na proteção civil: importância do PSNV-E e do PSNV-B para o gerenciamento de situações de crise
O atendimento psicossocial de emergência (PSNV) consolidou-se como um componente indispensável da proteção civil moderna. Concentra-se em dois grupos-alvo: PSNV para equipes de emergência (PSNV-E) e PSNV para vítimas (PSNV-B). Ambas as áreas contribuem significativamente para garantir a estabilidade psicossocial de indivíduos e comunidades em situações de crise, minimizando as consequências traumáticas a longo prazo e fortalecendo a resiliência social em geral.
PSNV-E e PSNV-B não são complementos opcionais, mas sim componentes essenciais do sistema de proteção civil. Eles abordam as consequências holísticas das crises – desde traumas individuais até a ruptura das redes sociais. Os investimentos nessas áreas geram retorno financeiro por meio da redução dos custos de acompanhamento no sistema de saúde, maior prontidão dos profissionais de saúde e uma sociedade mais resiliente. A profissionalização e o fortalecimento das redes continuam sendo uma tarefa fundamental para atender às crescentes demandas impostas pela crise climática e pelas incertezas globais.
PSNV-E: Proteção de pessoal de emergência
O PSNV-E abrange medidas preventivas, de apoio e de acompanhamento para equipes de emergência de bombeiros, serviços de resgate, Agência Federal de Assistência Técnica (THW) e outras organizações. Seu objetivo é prevenir o estresse psicológico, como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou burnout.
- Prevenção: Por meio de treinamento em gerenciamento de estresse e preparação realista para implantação, são ensinadas estratégias de enfrentamento que fortalecem a resiliência psicológica.
- Suporte no local: as equipes do PSNV-E fornecem suporte de baixo nível, por exemplo, por meio de discussões de redução da tensão ou formatos de reflexão estruturados, como o Gerenciamento de Estresse de Incidentes Críticos (CISM).
- Cuidados posteriores: os cuidados de longo prazo garantem o processamento de experiências estressantes e mantêm a capacidade operacional das forças.
PSNV-B: Estabilização populacional
O PSNV-B é voltado para sobreviventes, familiares, testemunhas e pessoas desaparecidas após desastres ou emergências graves. O foco é o atendimento psicológico inicial, que contribui significativamente para a prevenção de traumas nas primeiras 72 horas.
- Ajuda emergencial: As equipes de intervenção em crise (CIT) fornecem estabilização emocional, fornecem informações e ativam redes sociais.
- Suporte de longo prazo: se necessário, é fornecido encaminhamento para serviços psicoterapêuticos ou grupos de autoajuda para evitar transtornos crônicos subsequentes.
Integração sistémica na protecção civil
Colaboração interdisciplinar
A implementação requer a cooperação de psicólogos, capelães de emergência, assistentes sociais e profissionais de saúde. Modelos integrados já existem na Baviera e na Saxônia, nos quais equipes do PSNV são integradas às equipes de comando para identificar necessidades precocemente.
Importância para a gestão de crises
Prevenção de consequências de traumas a longo prazo
Estudos mostram que intervenções psicossociais precoces reduzem o risco de TEPT em até 30%. Durante o desastre da enchente de 2021 no Vale do Ahr, intervenções psicossociais sistemáticas reduziram significativamente o estresse psicológico da população, enquanto aqueles sem tratamento tiveram maior probabilidade de desenvolver consequências a longo prazo.
Proteção de infraestrutura crítica
O pessoal de emergência é um recurso essencial em caso de desastre. O PSNV-E protege a saúde mental dos bombeiros e previne faltas. Em Essen, por exemplo, a taxa de adoecimento entre os bombeiros caiu 18% após a introdução das equipes do PSNV-E.
Promover a resiliência social
O PSNV fortalece a capacidade das comunidades de lidar com crises. A ativação de recursos (por exemplo, treinamento de autoeficácia) e as redes sociais criam "amortecedores psicossociais" que mantêm a capacidade coletiva de ação em situações excepcionais.
Desafios e desenvolvimentos atuais
Gargalos de capacidade e profissionalização
Apesar do progresso, há escassez de especialistas em PSNV em tempo integral. O BBK recomenda a expansão de vagas em tempo integral para reduzir a carga atual de voluntários e implementar padrões de qualidade em todos os níveis.
Mudanças climáticas e situações complexas
Eventos climáticos extremos e pandemias exigem conceitos PSNV adaptativos. O BBK desenvolveu listas de verificação para uso durante ondas de calor ou grandes desastres paralelos, que levam em consideração estressores psicossociais, como exaustão pelo calor ou as consequências da quarentena.
Quais novas tecnologias poderiam apoiar o treinamento e os exercícios de proteção civil
Treinamentos e exercícios de proteção civil estão se beneficiando cada vez mais das tecnologias digitais. Isso inclui plataformas de aprendizagem, ferramentas de colaboração e comunicação, tecnologia moderna de medição e rede em veículos de emergência e tecnologias de simulação inovadoras. Essas novas tecnologias permitem formatos de treinamento e exercício mais flexíveis, realistas e eficientes, fortalecendo assim a prontidão operacional e a competência das forças de proteção civil.
Plataformas de aprendizagem digital e aprendizagem combinada
Ferramentas e plataformas digitais, como o ILIAS, possibilitam treinamento moderno e flexível em proteção civil. Elas oferecem funções para gerenciar cursos e participantes, fornecer materiais didáticos e realizar avaliações online (e-avaliações). Sistemas de gerenciamento de conteúdo de aprendizagem (LCMS) permitem que o conteúdo seja criado, mantido e distribuído centralmente. Abordagens de aprendizagem combinada que combinam aulas presenciais, seminários online e fases de autoaprendizagem já se mostraram bem-sucedidas e permitem um treinamento mais eficiente e independente de localização.
Salas de seminários virtuais e ferramentas de colaboração
Salas de seminários virtuais com sessões de discussão, quadros brancos digitais, quadros de avisos e ferramentas de pesquisa (sistemas de resposta do público) promovem colaboração e interatividade, mesmo em exercícios descentralizados. Estas ferramentas apoiam o trabalho em grupo, simulações de briefings e a criação de redes de participantes em diferentes locais.
Tecnologia moderna de medição e comunicação
A nova geração de veículos de reconhecimento QBRN (CBRN ErkW) está equipada com instrumentos de medição de alta precisão e redes digitais. Esses veículos permitem medições em movimento e a transmissão rápida e digital dos resultados para as unidades de comando. A rede digital facilita a coordenação e a avaliação de exercícios, bem como o acompanhamento e a análise de operações reais.
Tecnologias de simulação e realidade virtual (RV)
Embora não haja exemplos específicos mencionados nas fontes atuais, o uso de tecnologias de simulação e realidade virtual no campo da proteção civil está aumentando internacionalmente. Com a RV, cenários operacionais realistas podem ser treinados com segurança e repetidamente. Isso aumenta a segurança operacional dos serviços de emergência e permite treinamento em situações complexas sem grandes esforços logísticos.
As tecnologias de realidade virtual oferecem vantagens significativas para a proteção civil: permitem um treinamento mais intensivo, seguro e flexível, aprimoram a análise e o acompanhamento e abrem novos caminhos para o apoio e a coordenação operacional. Assim, contribuem significativamente para aumentar a confiabilidade operacional e a prontidão das forças.
Ambiente de treinamento realista e seguro
A realidade virtual (RV) permite simular realisticamente cenários operacionais complexos e perigosos sem colocar pessoas ou equipamentos em risco. Os serviços de emergência podem, por exemplo, treinar para incêndios, desastres ou acidentes em massa em um ambiente virtual no qual o estresse, a complexidade e a pressão do tempo são simulados de forma realista. Ações incorretas não têm consequências graves, o que permite um aprendizado seguro e prática repetida
Flexibilidade e variedade de cenários
Com a RV, uma grande variedade de situações operacionais pode ser criada de forma rápida e fácil, como salas com muita fumaça, incêndios em edifícios ou situações de resgate com “visibilidade zero”. Os cenários podem ser repetidos quantas vezes forem desejadas e independentemente da localização e adaptados às respectivas necessidades de formação
Uso eficiente de recursos e tempo
Ao contrário de exercícios complexos da vida real com atores ou equipamentos extensos, a RV economiza tempo e dinheiro. Não há desgaste nos materiais, e os exercícios podem ser realizados independentemente do clima ou da hora do dia. Além disso, a RV permite o ajuste rápido do nível de dificuldade e a repetição direcionada de processos críticos
Análise aprofundada e feedback individual
Os sistemas de RV registram os movimentos e ações dos participantes. Isso permite análises detalhadas após as ações e análises de erros direcionadas. Os instrutores podem reproduzir cada ação e fornecer feedback individual, aumentando significativamente a profundidade do treinamento e o sucesso do aprendizado.
Oportunidades expandidas para treinamento e comunicação em equipe
O treinamento em RV promove o trabalho em equipe, já que vários profissionais de emergência podem trabalhar juntos na simulação. A comunicação e a coordenação podem ser praticadas de forma realista, mesmo em situações complexas, como situações com reféns ou grandes desastres.
Suporte operacional por meio de gerenciamento remoto de operações
Abordagens inovadoras, como o comando remoto de incidentes com RV, permitem que os comandantes se desloquem virtualmente até o local e apoiem o pessoal de emergência remotamente. Drones fornecem imagens de 360° e varreduras a laser, que são processadas em tempo real para criar uma imagem virtual da cena do incidente. Isso permite que os comandantes de incidentes tomem decisões antecipadas e direcionem recursos de forma direcionada.
Sistemas digitais de teste e avaliação
Ferramentas de avaliação online permitem a administração e a avaliação automática de exames. Isso permite que o progresso da aprendizagem seja monitorado e documentado de forma eficiente, o que é particularmente vantajoso para grandes números de participantes e programas de treinamento descentralizados.
Veja também:
- Proteção Civil
- Preparação para desastres
- Defesa Civil
- Segurança Interna
- Segurança externa
- Cooperação Civil-Militar (CMC)
- Aliança Europeia de Centros de Treinamento (ETCA)
Quellen:
- Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência a Desastres (BBK)
- Governo Federal: KatRiMa – Gestão de Riscos de Desastres
- BBK: Nova estratégia para proteger a população na Alemanha
- Bundestag alemão, Serviço Científico, O desenvolvimento da proteção civil na Alemanha, WD-3-154-21-pdf-data.pdf

Deixe um comentário